Olha, não tenho lá muita coisa interessante pra falar sobre mim, mas se insiste tanto... Eu e meu irmão fomos mais uma das várias crianças que cresceram na sarjeta de Capithar. Eles a chamam de muitas coisas: "Antro dos Ladrões", "Reduto dos Párias" ou o meu favorito "Parquinho do Barão", sério é cada coisa que essa galera engomada vem fazer aqui que chega arrepiar, mas enfim. Apesar dos nomes para nós, era apenas o lugar onde as pessoas eram paradoxalmente mais honestas. Meu irmão nasceu com o chamado da fera no sangue. Em qualquer outro lugar em condições melhores, ele seria um prodígio. Em Capithar, ele era mais um dos "esquisitos", um alvo para os vagabundos bêbados.

   Eu me lembro da primeira vez que um deles foi longe demais, cuspindo no chão o chamando de animal na frente de todos. Eu era apenas um moleque com uma faca de cozinha e olhos rápidos, mas ali eu aprendi a lição mais importante da minha vida: O respeito não é dado, ele é extraído. Naquela noite, eu não matei o cara, queria muito, mas não matei. Eu apenas quebrei os dedos dele, um por um, e disse que se ele falasse o nome do meu irmão novamente, eu tiraria algo que ele não poderia recuperar. Foi a primeira vez que eu vi o medo nos olhos de alguém e o poder que isso te dá é grande.

   Veja, minha motivação nunca foi o ouro pelo ouro, é sério eu juro. O ouro é apenas o que paga as contas de quem protege os nossos. Enquanto Coroas, Templos e Guildas pregam a pureza, eu abro as portas d'A Família para os que realente não têm lugar sob o sol. Em Passo do Ferro, uma cidade de médio porte entre Capithar e Fiore, se você for um feral, um meio-orc, ou apenas alguém que o mundo decidiu que não pertence a lugar nenhum, é bem provável que você encontre abrigo nos Grugan. Meus companheiros não são apenas funcionários; eles são minha família. Eles sabem que, se alguém insultar a natureza de um deles, o Don Grugan não enviará um assassino, ele enviará uma mensagem que a cidade inteira ouvirá.

   Hoje, as pessoas em Capithar, Passo do Ferro e algumas outras vilas baixam o tom de voz quando passam pelos meus armazéns. Eles veem meu irmão caminhando com suas feras e sentem aquele frio na espinha. Não é apenas medo da violência. É o medo de saber que nós somos os únicos que realmente se importam com os nossos. Eles nos chamam de máfia. Eu chamo de preservação. Em Capithar, aprendemos que ninguém viria nos salvar. Então, construí uma transportadora que não move apenas mercadoria, move o equilíbrio de poder. Se você insulta um dos meus, você não está apenas ofendendo um homem. Você está perturbando o "Nó" que mantém esta cidade funcionando. E ninguém gosta quando o fornecimento de comida, vinho e proteção para de chegar... especialmente quando o motivo do atraso é a sua língua comprida demais.

   Mais alguma coisa que queira saber? Não? Ótimo, se me der licença estou atrasado para cuidar dos parceiros de matilha do meu irmão, sua última refeição foi na cidade passada, um azarado cidadão de língua grande, não queremos que isso aconteça de novo aqui queremos?!

Type
PERSONAGEM JOGADOR

Races
Humano

Age
28

Gender
Male