O caminho para a Capital deveria ser apenas uma missão de reconhecimento. Eu, meu irmão e nossos rapazes estávamos sentindo o terreno, avaliando os portões e calculando o preço do silêncio dos guardas reais. Mas a estrada, assim como os negócios, tem o hábito de colocar obstáculos interessantes no nosso caminho. Fomos interceptados por Pata-Negra. O homem tem fama; lidera "Os Panteras" e conhece os atalhos que a lei finge não ver. Muitos veriam ali um conflito de território, uma briga de facas por alguns palmos de poeira. Eu vi uma oportunidade de logística.
Pata-Negra é um ladrão, não um idiota. Conversamos como homens que entendem que o sangue derramado na estrada é lucro jogado fora. Eu lhe fiz uma proposta que ele não poderia ignorar: A ascensão através do prestígio. "Por que sermos ratos acuados nos becos se podemos ser os lobos que guardam as portas?", eu lhe disse. Propus que uníssemos forças para integrar os Lobos Prateados. Com o brasão de uma guilda de elite no peito, as patrulhas reais não são mais um problema; tornam-se escoltas pagas. É o crime travestido de ordem, a especialidade dos Grugan.
Ele hesitou, pesando o valor da sua independência contra o peso do ouro que a segurança traz. No fim, o aperto de mão selou o destino de nossas guildas. Agora, os Panteras e a Família Grugan caminham sob a mesma sombra. Porém, os negócios nunca dormem. Um recado chegou para Pata-Negra, uma "oportunidade" em outra de suas cidades. O cheiro de lucro rápido mudou nossos planos. Subimos nas montarias e deixamos a Capital esperar por mais uma noite. Se vamos tomar o centro do reino, primeiro precisamos garantir que as fundações nas províncias sejam feitas de ferro e sangue.