Onde a Primeira Centelha Ainda Arde
Entre todas as cidades que surgiram sob os ensinamentos da Comunhão de Ilusian, existe uma que nasceu de um momento único na história do mundo. Um momento que, segundo os registros mais antigos, marcou o início de algo que jamais deveria se apagar.
Quando Ilusian caminhava entre os mortais, seus seguidores buscavam compreender não apenas a origem da vida, mas também o impulso que move a criação, a curiosidade e a mudança.
Ilusian chamava isso de a Centelha. Não era apenas fogo, era inspiração, era descoberta. Era o desejo de compreender o desconhecido.
Antes de partir do mundo dos mortais, dizem os relatos antigos que Ilusian deixou um presente para aqueles que continuariam essa busca: uma chama.
Pequena no início, mas diferente de qualquer fogo já visto. Ela não consumia madeira, não se apagava com o vento e não diminuía com o passar dos anos. Para protegê-la, os primeiros guardiões da Centelha escolheram um lugar isolado do mundo comum.
Um conjunto de antigas formações de rocha que, por razões ainda não totalmente compreendidas, flutuavam acima do mar como se fossem sustentadas por forças invisíveis. Ali fundaram Tamuri, conhecida como A Cidade da Centelha Eterna.
Ao longo das gerações, templos e academias foram construídos sobre as ilhas suspensas. Pontes vivas e passagens naturais conectam as formações rochosas, permitindo que estudiosos e viajantes circulem entre os diferentes distritos da cidade. Mas o coração de Tamuri está no grande templo central que se ergue sobre a maior das ilhas.
Ali repousa a Chama Abençoada de Ilusian.
Os sacerdotes da Ordem da Centelha dedicam suas vidas a estudá-la. Não para dominá-la, mas para compreender aquilo que ela representa. Pois para eles, a chama simboliza a capacidade infinita de evolução do mundo.
Por isso Tamuri tornou-se um dos maiores centros de pesquisa, invenção e estudo de toda a Comunhão. Alquimistas, filósofos naturais, engenheiros, estudiosos da magia e pensadores de diversas áreas vivem e trabalham entre suas academias. Novas ideias nascem diariamente ali. Ferramentas, métodos, teorias e descobertas são desenvolvidas para melhorar a vida de todos os povos que seguem os ensinamentos de Ilusian.
Segundo os mestres da ordem, cada nova descoberta é apenas outra manifestação da mesma centelha que deu origem à cidade.
Curiosamente, os guardiões mais antigos costumam dizer algo peculiar sobre a chama. Eles afirmam que ela reage. Às vezes, quando grandes descobertas são feitas ou quando novos conhecimentos são revelados, o brilho da chama parece mudar por um instante, como se reconhecesse o progresso daqueles que a estudam.
Alguns dizem que isso é apenas uma reação natural de uma chama mágica antiga. Outros… preferem não discutir o assunto. Mas entre os sacerdotes mais velhos existe um costume curioso.
Quando entram no templo central, muitos deles fazem uma pequena pausa diante da chama… como quem cumprimenta algo que pode estar observando. Talvez seja apenas tradição ou talvez não.
Pois em Tamuri, todos concordam com uma verdade simples:
A chama não apenas ilumina o caminho do conhecimento. De alguma forma… ela parece acompanhar quem o percorre.