A Cidade da Ordem do Alimento

Muito antes de suas estradas serem conhecidas pelos mercadores e peregrinos, as terras férteis do sul eram apenas um vale amplo e silencioso, onde rios lentos serpenteavam entre campos selvagens e árvores antigas. Ali, onde a terra era generosa e o clima gentil, o povo aprendeu cedo um dos maiores ensinamentos da Comunhão de Ilusian: A vida precisa ser nutrida.
Conta-se que, nos primeiros dias após a descida de Ilusian ao mundo, muitos buscavam compreender os grandes mistérios da criação: o fogo da centelha, o sopro da água, o eco da presença divina.
Mas havia um homem entre os primeiros seguidores que compreendeu algo diferente. Seu nome foi Talamir, o Primeiro Sacerdote do Sustento.
Enquanto outros buscavam sinais nos céus ou nas profundezas da terra, Talamir caminhava entre os campos. Ele observava o crescimento das plantas, o ciclo das chuvas e o trabalho das mãos humanas. E foi Ilusian, dizem os registros sagrados, quem caminhou ao lado dele por muitos dias.
Juntos eles ensinaram aos primeiros povos que alimentar o mundo também era uma forma de devoção. Foi nesse vale que Talamir fundou a primeira comunidade dedicada a esse princípio. Ali surgiram os primeiros terraços de cultivo, os primeiros canais de irrigação e os primeiros celeiros sagrados.
Com o passar das gerações, a pequena comunidade transformou-se em uma grande cidade.
Templos escalonados ergueram-se como montanhas de pedra talhada. Jardins sagrados foram plantados nos níveis das pirâmides. Canais cristalinos cruzaram as praças e os campos ao redor da cidade, levando água e vida para cada canto da região.
Hoje, esta cidade é conhecida como Öpem, o Celeiro Sagrado, sede da Ordem do Alimento.
Mas não é apenas a fertilidade de suas terras que torna Öpem um lugar reverenciado. Pois sobre esta cidade paira uma presença antiga. Uma criatura que poucos já viram de perto… mas muitos já testemunharam nos céus. Seu nome é Aru’Keth, a Serpente do Sustento.
Descrita nos textos antigos como uma imensa serpente alada coberta por plumas douradas e verdes, Aru’Keth não é um deus, nem um espírito comum. Os sacerdotes afirmam que ela é um servo fiel do Primeiro Sacerdote, deixado como guardião da cidade após os dias em que Ilusian caminhava entre os mortais.
Dizem que Talamir não apenas falou com Ilusian. Ele viveu ao lado dele por muitos anos. E quando Ilusian partiu para além da compreensão dos mortais, algo permaneceu para proteger o legado que havia sido construído ali.
Aru’Keth.
A serpente raramente desce à cidade. O povo comum jamais falou com ela, e poucos acreditariam nas histórias se não fossem os inúmeros relatos ao longo das gerações.
Às vezes, durante o nascer do sol ou quando as primeiras estrelas surgem no céu, uma enorme silhueta alada pode ser vista deslizando silenciosamente entre as nuvens acima das pirâmides. Plumas brilham como folhas ao vento. E então ela desaparece novamente entre as montanhas e florestas distantes.
Apenas os Grandes Sacerdotes da Ordem do Alimento possuem permissão para buscar seu conselho. Em momentos de grande necessidade, eles realizam antigos rituais nas plataformas superiores do templo principal.
E dizem que, quando o mundo realmente precisa de orientação…
Aru’Keth responde.
Por isso Öpem não é apenas uma cidade.
É um lugar onde o alimento é sagrado, onde a terra é honrada como dádiva divina… e onde, acima das pirâmides e dos campos infinitos, uma antiga serpente celestial ainda vigia em silêncio.

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