Pouco se sabe sobre como vieram — se atravessaram as estrelas ou se rasgaram os véus entre os planos. Mas quando chegaram, o mundo os sentiu.
Eram chamados de Alternativos. Não foi um nome que escolheram, mas um que lhes foi dado pelos povos, como se fossem uma possibilidade que o destino havia escondido em uma dobra secreta da realidade.
Naqueles dias, o mundo estava em silêncio. A magia — toda ela — havia entrado em colapso. Arcanistas murmuravam palavras vazias. Clérigos erguiam preces que não passavam de ecos. E os mestres selvagens, outrora em comunhão com as forças da natureza, viam-se cegos e surdos à voz da vida.
Era como se a essência do mundo tivesse sido arrancada do coração dos conjuradores. Os grandes reinos haviam fechado seus círculos de magia. Altares estavam abandonados. Florestas, silenciosas. Havia temor, desespero e um vácuo onde antes palpitava o impossível.
E então eles chegaram.
Os Alternativos conjuravam como se as regras que aprisionavam o mundo não existissem para eles. Seus feitiços fluíam com precisão. Invocavam forças divinas que respondiam. A natureza os ouvia. O tecido mágico, até então estilhaçado, se moldava ao toque deles. Como se não dependessem do mesmo fluxo do mundo, como se trouxessem consigo um saber esquecido ou um poder de outro lugar.
E ensinaram.
Ensinaram os homens a conjurar de novo. Reergueram os caminhos da magia arcana, reacenderam a fé dos devotos, e reacordaram o sussurro das florestas. As três grandes correntes — arcana, divina e selvagem — voltaram a pulsar sob sua orientação. O mundo mudou. Os reinos renasceram. E os conjuradores voltaram a ser os pilares do equilíbrio.
Mas com esse renascimento, veio também uma ruptura.
Ao cruzarem os limites entre mundos, os Alternativos, sem saber, trouxeram sombras esquecidas. Antigas divindades, seladas nos tempos antigos pela vitória sagrada de Enarue, retornaram — corrompidas, mascaradas, menores em poder, mas não em ambição. Tomaram para si novos nomes, sempre precedidos pelo mesmo e temido título: NOR.
Hoje, os Alternativos ainda caminham entre os mortais. São líderes, mestres, guardiões — e combatem os males que libertaram. Enquanto os NOR espalham sua influência entre os desesperados, os Alternativos lutam para manter viva a chama que reacenderam.
E o mundo, mais uma vez, depende deles.