O Cântico de Nwael, o Deva do Renascimento
Escutem, ó vós que têm fé ou desespero no peito, pois poucos nomes ecoam tão forte quanto o de Nwael, o Deva do Renascimento.
Não caiu dos céus como os demais. Não desceu em glória, nem chegou com trombetas. Nwael nasceu, no plano material, como um mortal qualquer. Carregava em si a essência astral, mas surgiu no mundo sem poder, sem memória, sem propósito claro — apenas com a certeza de que precisava caminhar.
Era um corpo frágil com alma antiga. Um guerreiro recém-desperto, com o brilho do céu nas veias, mas o peso do mundo nos ombros. Um deva com apenas um nível... e uma missão que nem os deuses ousavam revelar.
Seguiu o destino como quem segue uma trilha apagada. Encontrou companheiros, fez amigos, ergueu esperança. E então, como tantos heróis... caiu.
Capturado nas garras do Inferno, foi acorrentado, mutilado e violado. Sua alma foi cuspida em dor, lançada ao esquecimento, como se o cosmos o rejeitasse. Mas mesmo ali, no silêncio sem fim, sua centelha não se apagou.
Um dia, os céus romperam as muralhas do tormento, e Nwael foi libertado.
Ressurgiu no mundo dos vivos — ferido, sim, mas também renascido. E foi assim que começou a verdadeira lenda. Porque Nwael não morreu apenas uma vez. Caiu em batalhas, tombou em sacrifícios, se ergueu sob os escombros, ressuscitou incontáveis vezes... sem nunca se saber o motivo, ou quem o chamava de volta.
Alguns dizem que era a vontade do mundo. Outros, que ele mesmo recusava o fim.
E a cada retorno, sua presença inspirava. Homens comuns que caminhavam ao seu lado começaram a se transformar. Primeiro em guerreiros sagrados, depois em algo mais. Algo alado. Algo angelical.
Mas havia um fardo oculto. Quando os Alternativos atravessaram os véus da realidade, Nor Moradim, o deus esquecido e corrompido dos anões, se escondeu. E fez de Nwael seu receptáculo. O corpo era de um herói, mas uma sombra antiga habitava em seu centro, aguardando o momento de romper.
Ainda assim, Nwael lutou. Contra os males do mundo, contra o deus oculto, contra a própria sina.
Até que chegou o último dia.
Diante de um dragão colossal, forjado na fúria dos tempos, Nwael caiu pela última vez. Sua alma, que tantas vezes retornou, desta vez se partiu — e das três faíscas que restaram, ergueram-se os seus mais fiéis companheiros:
- Salmodiel, patrono dos guerreiros.
- Petruziel, patrono dos paladinos.
- Cassiel, patrono dos clérigos.
E enquanto os três ascendiam, Nor Moradim, enfim liberto, abandonou o corpo de Nwael e tomou o de outro celestial. Voltou ao mundo com sua máscara profana... mas agora havia algo mais brilhando no céu.
Nwael não retornou. Pela primeira vez, o ciclo se fechou.
Mas ele não foi esquecido.
Não como um deus.
Mas como um símbolo.
De dor. De fé.
De sacrifício.
E de renascimento.
Onde a esperança morre, e algo novo precisa nascer, é o nome de Nwael que os bardos cantam.