Uma missão suicida ou um recomeço?
"Um puta recomeço, na verdade."
Não entendo o que estou fazendo nem por um segundo as vozes continuam me assombrando até aqui.
"Você não vai conseguir"
"vai matar todos eles"
Caminhamos com medo, perdidos e, cada vez mais, sem saber como isso pode dar certo. A sensação da magia não está presente em mim; é como se algo tivesse sido arrancado, algo que me fazia sentir viva.
Os dias se passam e, finalmente, consigo sentir a faísca da magia de um truque simples, algo que antes nem parecia nada e agora, agora é um delírio de prazer e êxtase, como se eu fosse uma criança descobrindo a magia pela primeira vez.
"Nunca achei que ia me sentir tão feliz com um truque"
Notei no olhar de meu melhor amigo que esse sentimento era Mútuo.
Então encontramos os habitantes deste mundo, um povo primitivo, e só nesse exato momento percebemos que não falamos a merda do idioma deles. Nem sequer entendemos direito os idiomas que nós mesmos falávamos algum dia. Na verdade, somos crianças sem saber nada, presas em corpos adultos que um dia tiveram poder e lutaram em uma guerra.
A sorte estava conosco, isso é inegável. Pois, de todas as opções ruins que poderiam nos acontecer, eles eram bons. Mesmo sem nenhuma comunicação, nos acolheram, deram-nos roupas e comida, e nos mantiveram vivos, o que já é um grande progresso.
Com o passar dos dias, aprendi a magia de compreender idiomas, o que está me ajudando a entender quem são essas pessoas e como me comunicar com elas. Um deles parece ter se afeiçoado a mim e, conforme o tempo passa, não me parece tão ruim a ideia de deixar isso rolar…
"Vai mata-lo também? Não basta os 8 que estão com você?"
"Você é fraca."
Essas vozes que continuam a se enraizarem em minha mente estão mais fundo a cada erro que cometo, a cada pessoa que deixo cair nas batalhas e a cada vez que eu sou um fardo para meu grupo. Por isso preciso fazer com que essa missão seja feita de forma eficiente e rápida, preciso resolver isso.
Certo dia, os caçadores chegaram preocupados. Ouvi a conversa deles falando sobre o "povo mau" e o "mau menor". Deduzimos que eram goblinoides e estávamos certos; quando mostrei a imagem daquelas criaturas usando magia, eles entenderam imediatamente do que se tratava.
Com o tempo, compreendi o idioma de forma a conseguir me comunicar com calma e paciência. Ainda é o básico, mas já é o suficiente para começar, para afastar a sensação de estar perdida, e de ser inútil.
Quase meio ano se passou enquanto eu estudava mais uma das magias simples, refazendo todo o meu caminho inicial. Agora, meu grimório é uma folha de árvore. Para o ritual, precisei de um jarro adornado que encontrei na tenda do líder; com um pouco de conversa, consegui pegar emprestado e, com um pouco de esforço, consegui convocar meu familiar.
E agora me coloquei em uma posição um pouquinho mais confortável. Consegui a atenção do líder deles e, de algum modo, posso conseguir sua confiança. Estou ensinando magia para ele e tentando convencê-lo a deixar nossos combatentes treinarem com os dele para enfrentarmos os goblinoides. Precisamos recuperar nossas forças o mais rápido possível e finalizar essa missão.

