A Cidade dos Campos Eternos
Muito antes de os viajantes verem seus primeiros telhados de palha no horizonte, eles já sabem que estão se aproximando desta cidade. Porque o ar muda.
O vento que sopra por estas terras carrega o cheiro da terra recém-revirada, do grão amadurecendo sob o sol e das flores que crescem entre os campos. Aqui, o mundo parece respirar em um ritmo mais calmo, mais constante… como se a própria terra estivesse viva e satisfeita.
Esta é Talverin, conhecida entre os povos do vale como A Cidade dos Campos Eternos.
Erguida nas planícies férteis que cercam Öpem, esta cidade não nasceu de muralhas ou conquistas, mas de algo muito mais simples e muito mais poderoso. A necessidade de alimentar o mundo.
Quando a Ordem do Alimento começou a se expandir além da cidade sagrada de Öpem, seus sacerdotes perceberam que os campos próximos já não eram suficientes para sustentar os milhares de peregrinos, mercadores e comunidades que dependiam de suas colheitas.
Foi então que os discípulos do Primeiro Sacerdote viajaram por estas terras abertas e encontraram algo extraordinário. Planícies vastas e férteis, rios tranquilos serpenteando entre colinas suaves e um solo tão generoso que, segundo os primeiros registros da ordem, as sementes pareciam brotar quase no mesmo dia em que eram plantadas.
Assim nasceram os primeiros assentamentos agrícolas. Pequenas aldeias de trabalhadores da terra que viviam sob a orientação dos sacerdotes da Ordem do Alimento. Com o passar das gerações, esses assentamentos cresceram, uniram-se e foram organizados em torno de um grande templo agrícola erguido sobre a colina central.
Hoje, essa colina abriga o Templo das Colheitas Sagradas, uma grande pirâmide de pedra onde os sacerdotes conduzem rituais para agradecer pela fertilidade da terra e pela abundância das estações.
Ao redor dela espalha-se a cidade. Casas simples de pedra e madeira misturam-se com celeiros gigantescos, moinhos, silos e mercados de grãos. Estradas largas cruzam os campos em todas as direções, formando rotas constantes de carroças carregadas com trigo, frutas, ervas, milho dourado e incontáveis outros alimentos.
Pois Talverin não é apenas uma cidade. Ela é o coração agrícola de toda a região.
Graças à sua posição entre diversas rotas comerciais e às vastas planícies cultiváveis ao redor, Talverin tornou-se o maior centro de distribuição de alimentos das terras que seguem a Comunhão de Ilusian. De seus celeiros partem carregamentos que alimentam cidades distantes, templos, exércitos e caravanas.
Mas apesar de sua importância econômica, Talverin jamais perdeu aquilo que define seu espírito. A celebração da vida. Aqui, as estações são marcadas por festivais.
Quando a primeira plantação brota, o povo dança nas ruas. Quando os frutos amadurecem, grandes mesas comunitárias são montadas nas praças. Durante a grande colheita anual, as ruas se enchem de música, lanternas coloridas e procissões conduzidas pelos sacerdotes da Ordem do Alimento.
Nesses dias, diz-se que até mesmo os ventos parecem mais suaves. E enquanto as festas ecoam pelas colinas e pelos campos dourados que se estendem até onde a vista alcança, os viajantes logo compreendem algo simples, mas poderoso sobre este lugar:
Talverin pode estar sob a regência do governante de Öpem…
Mas é aqui que a terra realmente alimenta o mundo.